12 Novembro 2009

Amigas ...


Velhas amigas se encontram num restaurante badalado para jogar conversa fora, afinal depois de tantos meses sem se falar, de muito trabalho, viagens e outras obrigações, havia muito papo para colocar em dia...

A mulher de cabelos loiros avista a amiga de cabelos negros, com uma taça de vinho na mão sentada numa mesa no canto do ambiente. Percebe que ela não mudou nada, continuava belíssima e chamando a atenção de quem estivesse no recinto. Sentiu uma pontada de inveja de vê-la tão bem, que logo se dissipou ao notar a receptividade da colega.


- Amiga você está ótima. – Disse à mulher que tinha acabado de chegar, ao se sentar.

- Que nada! Você que está bonitona, Loira. Mexeu no cabelo? Parece que fez luzes.

- Sim. Gostou?

- Adorei! Deu uma realçada na sua pele.

- Ah, obrigada.

- Também estou te achando mais magra. Regime?

- Tive que fechar a boca. Você já pensou, além de solteira e ainda gorda? Não dá né fofura?


As duas caíram na risada.

- Você também está pra cima, Morena. Como sempre magra e bonita. O que me conta de novidade?


- Não tenho muitas, só tenho trabalhado bastante.


- Eu também.


- Fazer o quê? É a vida.


- Verdade.


A mulher que chegou por último dá uma olhada ao redor e se volta para a amiga.


- Você já reparou que esse restaurante é um harém?

- Ãh?

- Loira é o espaço com mais homem bonito por metro quadrado que eu já vi.

- Você tá carente?


Ela sorri sem graça.


- Não muito morena, mas a coisa está começando a apertar.

- Quanto tempo?

- Algumas semanas.


- Xii.

- Ei! Dá uma olhada no bonitão encostado no balcão. O moreno claro, de cabelos castanhos, do bocão. Um Deus!

A morena sorri.

- Que foi?

Ela continua sorrindo.


- Fala criatura!

- Já peguei loira. Meu ex-namorado.


- Sério?

- Sim.


- E aí ... ele é bom?

- Demais.

- Tá podendo hein?

- Imagina!


A loira continua observando os seres do sexo oposto presentes no ambiente.


- Vira devagarinho pra sua esquerda. O cara sentado no canto, o branquinho, cabelos pretos, corpo atlético. Esse eu pegava! A mulher sorri discretamente.

- Ah não. Ex também?


- Sim.

- Carambas!

A morena acena para o homem que retribui o gesto.


- E aí ...
- Continua a loira.

- Ele é super carinhoso, muito gentil, um espetáculo na cama, mas ...


- Mas?

- De uns tempos pra cá soube que anda jogando nos dois times.


- Não entendi?

-Bi.


- Hum ... que desperdício.

- Verdade. Depois que soube meu tesão foi pelo ralo.


- Também pudera.

Elas voltam a sorrir. As gargalhadas chamam a atenção das pessoas próximas a mesa.

- Amiga! – Exclama a loira toda empolgada. - Olha agora, ali na direção do banheiro, um espetáculo da mãe natureza saindo de lá. M-E-U D-E-U-S o que é aquilo? Papai do céu eu quero um daquele. Dá pra mim por favor vai...

- Amiga acho que ele não vai poder te dar. – Afirma a morena.


- Porque? Casado?

- Não. Comprometido.

- Sério?

- Humrum. – Diz a mulher assentindo.

- Que pena. Ah um homem bonito desse jeito, bem tratado, cuidado, deve ter casado com uma criatura bem rica e feia.

- Você me acha feia?

- Não. (pausa). Espera aí, não vai me dizer que ...

- Não. Não.

- Ah ta.

- Meu amante.


- O quê?


- Simmmm. Mana sem comentários. Só te digo que ele é demais.


- Morena, passa um pouco desse mel, ou me ensina, me diz, me explica como você consegue tanto homem bonito.


- Segredo! – Afirma a mulher sorrindo.


- Ah amiga, fala sério.


Um sujeito de porte médio, branco, um tanto fora de forma, terno largado, cabelos pretos bagunçados, entra no campo de visão das duas.


- Morena. Duvido se você pegaria aquele ali. – Fala a loira apontando para o homem.

A mulher sorri desconcertada, um tanto sem jeito.


- Já peguei. – Responde baixinho.


- Não acredito!!! Aquele cara feio, sem charme e elegância, uma coisinha de gente comparada com os deuses que você já ficou!!! Cê ta brincando comigo???

A morena toma um pouco de vinho. Respira fundo...


- É meu marido.

11 Novembro 2009

Aparências

Dois velhos amigos de escola se reencontram em um bar, num desses finais de tarde da vida. Carlos e Vitor. O primeiro, o careta, o CDF, o esquisito, da sala, o perseguido pelos valentões, mas que cresceu e se transformou em um homem de 1m75, cabelos e olhos pretos, branco, corpo atlético. O segundo conhecido como o gostosão, o popular com as meninas, o ‘cara’, que tinha virado um sujeito de 1m72, cabelos castanhos, lisos, pele clara e olhos verdes, aparência cansada.
- Carlos? – Pergunta o homem de terno cinza.
O cara de camiseta branca, bermuda e sandália, encostado no balcão, vira para ver quem o cumprimenta.
- Sim? (pausa).Você quem é?
- Tá de brincadeira comigo? Fala sério! Não tá lembrado de mim não? Vitor, meu camarada!
- Vitor! Claro, claro. Estou comigo não é mesmo? Como vai?
- Eu vou bem. Você que mudou pra carambas, quase que não te reconheci. Tá bem diferente daquele cara desajeitado dos tempos de escola, que costumávamos sacanear na sala de aula. Tá até bonito. – Diz o homem caindo na risada.
- As coisas mudam. – Afirma Carlos sorrindo. E aí o que ta fazendo da vida? Ainda continua o “terror da mulherada”?
- Estou indo. Sempre que posso, pego uma. Pra não perder a prática né?
- Certo. Soube que você tinha casado e tinha até tido um filho.
- Boatos. Você sabe como é ... gente querendo acabar com a minha reputação.
- Então não casou?
Vitor se aproxima, apóia o braço no ombro do outro.
- Cá entre nós, eu casei, mas não espalha por aí não. Uma hora você tem que se aquietar e eu tive que arranjar alguém.
Carlos, se esquiva do abraço inconveniente.
- Entendi.
- E você? – Questiona Vitor.
- Eu vou muito bem obrigado.
- Casou?
- Não.
- E a Aninha, aquela esquisitona que andava com você? Pensei que fossem casar. Vocês até combinavam.
- Ficamos juntos por algum tempo.
- Você teve coragem de comer ela? Cara que gosto hein? – Exclama Vitor.
- O que você tem contra a Ana? Ela é uma mulher maravilhosa.
- Mas era feia.
- Era o que você achava. Não se engane com as aparências, meu caro.
- Não vai dizer que ela era boa de cama? Duvido!
- Sem comentários. Há mais coisas entre o céu e a terra, do que possa supor sua vã filosofia.
- Sério?
- Sim.
- E que fim levou ela?
- Ficamos juntos algum tempo. Até concluímos o mestrado juntos, porém uma hora o amor acabou e ficamos amigos.
- Hum.
- Ela foi pra Marrocos. Acabou casando com um xeique.
- P%$# q@# p@#$%. Que sortuda!
- Sim.
- Mas e aí? O que você faz da vida, o que anda fazendo pra sobreviver? Ainda estudando muito? Você tem jeito que deve trabalhar pra caramba. Deixa eu adivinhar, tá de folga hoje, por isso tá todo largado?
- Já não estudo tanto. Essa época já passou Vitor. Eu sou doutor agora.
- Médico?
- Não. Doutor em tecnologia da informação.
- Tá aí! Gostei.
- E você?
- Virei advogado. Tenho um pequeno escritório.
- Fico feliz por você. Eu tenho três empresas, uma no Rio, outra em São Paulo e uma em Manaus. Não estou de folga, vim apenas comprar um iate para uma viagem pelo mundo. Estou hospedado na minha casa de praia daqui, mas não devo demorar, a apesar das 6 suítes, da piscina e de ser de frente para o rio acho muito pequena a residência. Prefiro a de Búzios.
- Car@#$&.
Carlos sorri.
Uma mulher se aproxima do balcão do outro lado. Ruiva, cabelos curtos, olhos castanhos, corpo atraente. Linda.
- Meu irmão ... exclama Vitor todo animado.
- Que foi?
- Vira devagar pra sua esquerda. Dá uma olhada nesse avião que está encostado no balcão. Um espetáculo! Um monumento! Essa eu pegava e botava pra suar. Aí uma deusa dessas na minha mão.
Carlos vira para vê-la. Ela sorrir ao notar que ele está a observando. Dá um tchauzinho.
- Conhece? Pergunta Vitor.
- Sim.
- Sério?
- Sim. Conheço e muito bem. – Responde despretensioso.
- Deixa eu adivinhar... é da sua família?
- Sim.
- Pela aparência... pela pouca idade ... sua irmã?
- Não.
- É mesmo. Agora que me lembrei que você era filho único. Já sei! sua filha?
- Não.
- Uma amiga?
- Também não.
- Então de onde conhece a gostosa? - Questiona Vitor um tanto impaciente.
- É minha mulher.

A vida dá voltas e voltas e numa dessas quem está por baixo fica por cima.

09 Novembro 2009

Mulheres e Mulheres na visão de Armando ...

Sexta-feira passada quando ia saindo do trabalho, o Armando Carvalho me parou em frente ao portão da empresa para me comunicar que uma conversa que tivemos na quinta-feira tinha resultado numa crônica escrita por ele.
Mulheres e Mulheres aborda de forma escancarada e engraçada as figuras do sexo oposto que ele conhece e conheceu. O texto está mais para uma análise.

Segue um trechinho.

...A Dani me pediu uma opinião sobre as mulheres.Resolvi escrever o seguinte sobre algumas mulheres que conheci.Voce é uma mulher que será uma eterna menina...

...Voce é uma garota só para um homem, amar... muito, com cuidado e carinho. É sincera e totalmente do bem. Como voce são poucas...


A crônica completa você lê AQUI.

06 Novembro 2009

Tereza

Tereza era uma dessas pessoas que provavelmente ao te ver pela primeira vez te prenderia em um abraço. Lembro de uma menina da cidade que costumava visitá-la vez ou outra. Essa pequena desaparecia entre os músculos do ante-braços e somente minutos depois, vermelha do afago era solta.

Tereza era casada com Zé. Teve 6 filhos. Três homens e três mulheres, a família era bem dividida, bonecas e carrinhos, crianças com idade próximas para poder brincar entre si. Seu esposo era ciumento, mesmo que não tivesse motivo, afinal Tereza era um amor de pessoa. Quando saia de casa, varria o terreiro até deixar o chão perfeito, se algum desavergonhado se aproximasse da casa dele veria as pegadas deixadas no chão. Oh homem!

Tereza era a mais velha de uma ascendência de educadores. Ensinava crianças. Ensinou muita gente e por onde passava recebia um gesto de carinho. Aprendeu o ofício com a mãe que um dia montou uma escola para ensinar os meninos da comunidade.



Tereza adorava passarinhos. Aliás, amava-os. Eles vinham até seu quintal comer seus cajus. Um dia a menina da cidade saiu afugentando eles da árvore e ela a repreendeu pedindo que não fizesse aquilo. A fruta era deles. Era um acordo. Ela dava os cajus e eles cantavam a tarde toda no seu quintal.

Tereza era dona de uma risada abafada, quase inaudível. Era lindo vê-la sorrindo. Você sorria também contagiado com aquela energia positiva que emanava dela. Certa vez sua voz calou. No entanto ela era forte e sobreviveu a mudez. Quando voltou a falar, falava, falava, mais que um locutor esportivo e contava muitas histórias.

O tempo passou ... Tereza viu os netos nascer. Um, dois, três, quatro. A família cresceu. Os filhos foram embora e ela ficou sozinha com Zé, menos ciumento e de cabelos brancos.

Numa manhã Tereza sumiu. Correu atrás de um passarinho que apareceu no parapeito da janela do prédio em que estava numa avenida movimentada de uma grande capital. Vestiu os chinelos ajeitou a bata e não foi mais vista. Desvaneceu no nada.

Quando deram pela falta de Tereza só ouviram a risada baixinha sendo levada no vento.Ela tinha ido para um lugar melhor.

05 Novembro 2009

Melhor Blog Paraense

Crianças !!!

Estou participando do Concurso que vai eleger o Melhor Blog Paraense.
O Poeira, chão e palavras esta inscrito na categoria Ficção (escrever crônicas dá nisso, rsrs).
A votação está sendo feito no blog dos Blogueiros Paraenses.
Faça uma blogueira feliz, vote neste blog.

'Patrícia Poeta de calças'


"Estou me sentindo uma Patrícia Poeta de calças. Desde que cheguei a Santarém devo ter dado umas 27 entrevistas." Kiko Menezes, réporter do Sport TV durante a cobertura da decisão do São Raimundo x Macaé.

O jornalista estava torcendo pelo Pantera. A matéria completa será divulgada no próximo domingo (08) no Esporte Espetacular. Na foto feita um pouco antes de começar a partida, Kiko falava ao vivo para os ouvintes da Rádio Clube.

Corre!


O interessante de você acompanhar uma partida de futebol no campo, são as imagens únicas que você consegue captar de um ângulo privilegiado. Nas fotos a pequena bola domina os jogadores. Pense num objeto idolatrado. Todo mundo quer.


Fotos: Dannie Oliveira

Enfim


Hoje depois de tantos meses falando sobre meu Trabalho Acadêmico Orientado venho compartilhar a vitória dada na noite de quarta-feira. Às 21h30, protocolei na Secretária Acadêmica do Iespes, a pesquisa ‘A Informação contida na imagem: a fotonotícia’.
A todos que me apoiaram, aos leitores deste blog que foram compreensivos com a minha ausência, MUITO OBRIGADO!

04 Novembro 2009



 
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